Começo de 2011, muitos discos bons por vir pelo ano a fora mas é sempre bom lembrar o que saiu de legal nesse 2010 que mal passou. Por isso pra estrear a coluna Top 5 vai uma lista feita pelo meu amigo Pedro Lucas, vulgo Pepipédia, dos melhores discos de 2010. Aproveitem.
1 – Have One On Me, Joanna Newsom – Há quem ouça o disco triplo de Joanna Newsom como se fosse um grande conto de fadas. Talvez seja isso que Joanna Caroline Newsom pretenda fazer com seus discos; um grande conto de fadas lisérgico, escudado por uma poesia erudita, visceral e no compasso de uma harpa hábil. ‘Have One On Me’ talvez não seja um disco tão acachapante quanto ‘Ys’ (2006), até pelo fato de ser três blocos de músicas que não se interligam propriamente; tem sentidos individuais, e é uma gama de influencias que une jazz e soul (Easy, Occident), o folk à la Van Dyke Parks (Kingfisher, Have One On Me), e a sutileza e destreza poética que lhe são peculiares (Baby Birch, Soft As Chalk, etc), e mostra que Joanna Newsom tem muitas cartas na manga. É um segredo. Fica como primeira pedra na coroa da década que se inicia. (Similar: ‘Outlaster’, Nina Nastasia)
2 – King Of The Beach, Wavves – Nathan Williams conseguiu construir uma viagem para além do lo-fi que se seguiu nos dois discos homônimos de 2008 e 2009. E isso tudo depois de um 2009 conturbado, assolado por crises decorrentes do abuso do cigarrinho de artista, da cana, dos remédios, &c. E eis que em 2010 o VIDA LOKA Nathan Willians nos brindou com uma caixa de pérolas feitas com o esmero suficiente pra fazer desfilarem a grunge ‘Linus Spacehead’, a surf e lo-fi faixa-título, a assobiável ‘Green Eyes’, ao punk de butique (e por isso mesmo charmoso) ‘Post-Acid’. É o ‘Nevermind’ de Nathan Williams, como ele mesmo queria. (Similar: ‘Crazy For You’, Best Coast)
3 – ‘The ArchAndroid’, Janelle Monáe – Swing, soul, simpatia. Janelle Monáe foi a revelação, a sensação e o último bastião do artista clássico (aquele que canta, atua, dança, etc, um bibelô americano como há um tempo não se avistava) em 2010. Monáe produziu um álbum composto de DEZOITO hits em potencial, um grande baile, uma viagem sob o prisma de toda black music já publicada. (Similar: ‘The Lady Killer’, Cee-Lo Green)
4 – ‘Halcyon Digest’, Deerhunter – Após ‘Microcastle / Weird Era Cont.’ (2008), não havia como dizer que Bradford Cox construísse pérola maior em sua vida. E eis que reunindo de uma só vez toda a obra GUITARRÍSTICA que abarca de Sonic Youth a Strokes, e emulando às vezes Lou Reed, às vezes David Bowie, e até mesmo um Julian Casablancas construindo uma poesia digna de um Dylan lisérgico, viajante (como em ‘Desire Lines’, das melhores faixas do disco), mr. Cox nos deseja o melhor possível, ao nos dar um cartão de visitas supremo, ou seu (por enquanto) melhor disco. (Similar: ‘Before Today’, Ariel Pink’s Haunted Graffit)
5 – ‘Feito Pra Acabar’, Marcelo Jeneci – Um disco brasileiro pra não precisar incluir nessa lista nem Arcade Fire nem outro hype gringo do tipo, e já adiantando as menções honrosas a Tulipa Ruiz, Karina Buhr, Nina Becker e cia., também discos dignos de nota. ‘Feito Pra Acabar’ é música de sutilezas, que surpreende, que dá a dimensão do que seria o Guilherme Arantes com verniz de bom gosto, cantando ‘Não te darei flores, elas murcham, elas morrem’, ao melhor estilo Odair José e oferecendo canções pop (ao seu modo) como ‘Café com Leite de Rosas’ e ‘Copo D’Água’. (Similar: ‘Efêmera’, Tulipa Ruiz)
12:07
O Nerd Puto

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