Cheguei na rua chile por volta das quatro e meia da tarde e fiquei meio apreensivo quando vi que o movimento estava baixo. Afinal esse evento era mais como uma aposta, ninguém sabia ao certo se ia vogar... Além de tudo o céu estava meio fechado, coisa que desencoraja bastante a galera sair de casa.
Mas enfim, não dava pra ficar divagando muito sobre isso porque assim que a gente chegou lá já fomos entrando no Dosol pra começar o soundcheck. Guitarras afinadas, bateria arrumada, aumenta um agudo aqui, um volume ali e o som foi passado (e estava bem bacana, o que não é muito comum), e a gente saiu pra tomar uma cerveja e conversar com uns amigos que estavam lá fora. O movimento estava aumentando e a apreensão diminuindo.
Depois de uma meia hora tomando um ar e conversando com o pessoal do lado de fora o pessoal da organização mandou a gente ir pro palco porque a bilheteria já ia abrir. Juntamos a banda toda e fomos pro palco começar a tocar, lá pra umas cinco e meia da tarde.
O que eu posso dizer do Sunday Record é que nós estamos melhorando pouco a pouco a cada show que a gente toca. Errando menos, timbrando as coisas melhor, conversando mais com a galera, se soltando mais... E tinha um pessoal bem legal sacando o som, em torno de umas 30 pessoas (número considerável pra banda de abertura aqui em Natal). O repertorio consistiu basicamente no ep que a gente soltou na internet a umas semanas atrás, mais uma canção nova e alguns covers, um do NOFX, um do Foo Fighters (que contou com Matheus, nosso novo baixista, que tocou ele com a gente) e nosso já quase tradicional cover do Face to Face. O show também foi a despedida de Gurgel, que deixou a banda por motivos pessoais.
Terminando de tocar a gente reuniu todas as nossas tralhas pra a galera do Dead Fish Cover entrar em ação. Eu fiquei sacando os caras da beira do palco, me lembrando dos shows dos capixabas que já rolaram aqui em Natal. A banda abriu com “A Urgência” seguida por várias outras perolas como “Sonho Médio” e “Afasia”. As músicas foram muito bem executadas e a galera que estava vendo o show estava bem empolgada, cantando as músicas com dedinho do ar, como se estivessem numa apresentação da original. Foi bacana também ver o Shilton Roque de volta aos palcos, já que o sujeito está parado desde o fim do Reação Adversa. Rolou até stage diving na galera!
Depois do cover eu sai de novo pra fumar um cigarro lá fora, porque o bar já estava bem cheio, (finalmente a apreensão tinha ido embora hehehe) enquanto uma das bandas potiguares mais legais não começava a tocar, o deadfunnydays. Acabei meu careta e voltei pro bar, os caras estavam terminando de arrumar tudo e logo começaram a tocar. O show foi ótimo, a banda investe numa mistura de hardcore com guitar band no melhor estilo Garage Fuzz (a qual é normalmente associada), músicas muito bem executadas, os melhores timbres de guitarra da noite (uma fender Jaguar ligada num valvulado Pedrone, coisa fina), realmente um show pra se apreciar. E mais um cover do Seaweed de brinde pra quem é fã de post-hc made in 90, que nem eu.
Agora era a vez do Calistoga mostrar porque que eles são a banda mais prestigiada do estado. Depois da típica passagem de som demorada e perfeccionista tradicional dos caras o som começou. Eles abriram com uma música do tão aguardado ep novo da banda, “Time and Understanding”, se não engano. A apresentação seguiu com uma alternação de músicas novas e clássicos da banda, como “New way to say” e “Get together”. No mais o show foi como sempre: a banda fritando em cima do palco, uma galera catando as músicas junto com a banda (eu lá no meio dessa bagaça) e os tradicionais minutos de noise no final da apresentação.
Já estava meio tarde e uma galera foi indo embora pra pegar o ônibus porque o sistema rodoviário da cidade no domingo é uma desgraça. O bar esvaziou mais e foi assim que os paraibanos do Elmo começaram o seu hardcore mezzo melódico mezzo porrada. Os caras estavam desfalcados de vocalista, então uma galera das outras bandas fez rodizio pra cantar as músicas com os caras, que apesar de terem tocado pra um público menor fizeram uma apresentação muito boa. Quem continuou lá gostou muito.
Foi num clima de final de turnê que o Plastic Fire subiu ao palco. Eles tocaram pro bar quase vazio, o que não foi motivo pros caras não tocarem seu hardcore melódico com gás total. Rolaram alguns perengues durante a apresentação, uma corda da guitarra estourou e foi um rolé da porra até resolver, mas enquanto isso o resto da banda ficou brincando com a plateia, rolou até um cover de Linoleum do NOFX só com voz e bateria hehehe Problema da guitarra resolvido o show seguiu seu rumo. Os caras tocaram músicas do seu primeiro disco “Existênica P.arcial” e do novo trabalho “A Última Cidade Livre” (que batizou a turnê). Foi uma apresentação muito do caralho, com os caras bem a vontade e se despedindo do nordeste. Depois de muitos agradecimentos, a banda encerrou uma tour de nove shows tocando “O preço de ser impessoal”, faixa de abertura do disco novo que tem menos de um minuto, com todo mundo que ainda estava no bar cantando com o vocal Rey.
Foi uma noite bem bacana. Fazia muito tempo que eu não via um evento desse naipe aqui na cidade. Bandas do caralho se apresentando em um mesmo rolé e principalmente ter tocado junto com elas. Um dia inesquecível que com certeza valeu o sorriso no rosto na hora voltar pra casa.
Nós perguntaram se o “hardcore está morto?” e a gente respondeu: “nem fudendo”.
18:01
O Nerd Puto

