segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

RESENHA: PLASTIC FIRE NO C.C. DOSOL

Foto por Rafael Passos (www.flickr.com/rafaelmago)


Cheguei na rua chile por volta das quatro e meia da tarde e fiquei meio apreensivo quando vi que o movimento estava baixo. Afinal esse evento era mais como uma aposta, ninguém sabia ao certo se ia vogar... Além de tudo o céu estava meio fechado, coisa que desencoraja bastante a galera sair de casa.

Mas enfim, não dava pra ficar divagando muito sobre isso porque assim que a gente chegou lá já fomos entrando no Dosol pra começar o soundcheck. Guitarras afinadas, bateria arrumada, aumenta um agudo aqui, um volume ali e o som foi passado (e estava bem bacana, o que não é muito comum), e a gente saiu pra tomar uma cerveja e conversar com uns amigos que estavam lá fora. O movimento estava aumentando e a apreensão diminuindo.

Depois de uma meia hora tomando um ar e conversando com o pessoal do lado de fora o pessoal da organização mandou a gente ir pro palco porque a bilheteria já ia abrir. Juntamos a banda toda e fomos pro palco começar a tocar, lá pra umas cinco e meia da tarde.

O que eu posso dizer do Sunday Record é que nós estamos melhorando pouco a pouco a cada show que a gente toca. Errando menos, timbrando as coisas melhor, conversando mais com a galera, se soltando mais... E tinha um pessoal bem legal sacando o som, em torno de umas 30 pessoas (número considerável pra banda de abertura aqui em Natal). O repertorio consistiu basicamente no ep que a gente soltou na internet a umas semanas atrás, mais uma canção nova e alguns covers, um do NOFX, um do Foo Fighters (que contou com Matheus, nosso novo baixista, que tocou ele com a gente) e nosso já quase tradicional cover do Face to Face. O show também foi a despedida de Gurgel, que deixou a banda por motivos pessoais.

Terminando de tocar a gente reuniu todas as nossas tralhas pra a galera do Dead Fish Cover entrar em ação. Eu fiquei sacando os caras da beira do palco, me lembrando dos shows dos capixabas que já rolaram aqui em Natal. A banda abriu com “A Urgência” seguida por várias outras perolas como “Sonho Médio” e “Afasia”. As músicas foram muito bem executadas e a galera que estava vendo o show estava bem empolgada, cantando as músicas com dedinho do ar, como se estivessem numa apresentação da original. Foi bacana também ver o Shilton Roque de volta aos palcos, já que o sujeito está parado desde o fim do Reação Adversa. Rolou até stage diving na galera!

Depois do cover eu sai de novo pra fumar um cigarro lá fora, porque o bar já estava bem cheio, (finalmente a apreensão tinha ido embora hehehe) enquanto uma das bandas potiguares mais legais não começava a tocar, o deadfunnydays. Acabei meu careta e voltei pro bar, os caras estavam terminando de arrumar tudo e logo começaram a tocar. O show foi ótimo, a banda investe numa mistura de hardcore com guitar band no melhor estilo Garage Fuzz (a qual é normalmente associada), músicas muito bem executadas, os melhores timbres de guitarra da noite (uma fender Jaguar ligada num valvulado Pedrone, coisa fina), realmente um show pra se apreciar. E mais um cover do Seaweed de brinde pra quem é fã de post-hc made in 90, que nem eu.

Agora era a vez do Calistoga mostrar porque que eles são a banda mais prestigiada do estado. Depois da típica passagem de som demorada e perfeccionista tradicional dos caras o som começou. Eles abriram com uma música do tão aguardado ep novo da banda, “Time and Understanding”, se não engano. A apresentação seguiu com uma alternação de músicas novas e clássicos da banda, como “New way to say” e “Get together”. No mais o show foi como sempre: a banda fritando em cima do palco, uma galera catando as músicas junto com a banda (eu lá no meio dessa bagaça) e os tradicionais minutos de noise no final da apresentação.

Já estava meio tarde e uma galera foi indo embora pra pegar o ônibus porque o sistema rodoviário da cidade no domingo é uma desgraça. O bar esvaziou mais e foi assim que os paraibanos do Elmo começaram o seu hardcore mezzo melódico mezzo porrada. Os caras estavam desfalcados de vocalista, então uma galera das outras bandas fez rodizio pra cantar as músicas com os caras, que apesar de terem tocado pra um público menor fizeram uma apresentação muito boa. Quem continuou lá gostou muito.

Foi num clima de final de turnê que o Plastic Fire subiu ao palco. Eles tocaram pro bar quase vazio, o que não foi motivo pros caras não tocarem seu hardcore melódico com gás total. Rolaram alguns perengues durante a apresentação, uma corda da guitarra estourou e foi um rolé da porra até resolver, mas enquanto isso o resto da banda ficou brincando com a plateia, rolou até um cover de Linoleum do NOFX só com voz e bateria hehehe Problema da guitarra resolvido o show seguiu seu rumo. Os caras tocaram músicas do seu primeiro disco “Existênica P.arcial” e do novo trabalho “A Última Cidade Livre” (que batizou a turnê). Foi uma apresentação muito do caralho, com os caras bem a vontade e se despedindo do nordeste. Depois de muitos agradecimentos, a banda encerrou uma tour de nove shows tocando “O preço de ser impessoal”, faixa de abertura do disco novo que tem menos de um minuto, com todo mundo que ainda estava no bar cantando com o vocal Rey.

Foi uma noite bem bacana. Fazia muito tempo que eu não via um evento desse naipe aqui na cidade. Bandas do caralho se apresentando em um mesmo rolé e principalmente ter tocado junto com elas. Um dia inesquecível que com certeza valeu o sorriso no rosto na hora voltar pra casa.

Nós perguntaram se o “hardcore está morto?” e a gente respondeu: “nem fudendo”.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

ENTREVISTA COM VINI D`LUCA (DRIVEOUT)



Hoje rolou uma entrevista via msn com o Vini D`Luca, vocalista do Driveout. Ele nós falou um pouco sobre a história da banda e sobre o tão aguardado cd novo.

Enjoy!


O Driveout é uma banda com 6 anos de correria e um bocado de história contar. Faz ai um pequeno histórico de como o Driveout começou ate como a banda está hoje em dia.

Cara, o Driveout começou como toda banda: uns caras se juntam pra levar cover do que gostam em um estúdio, daí começam a compor e daí vai virando verdade a coisa uhahua - no começo era eu na guitarra, neto no baixo e leu na batera, daí logo o neto foi pra a segunda guitarra e por muito tempo a formação era essa, nós 3 e um baixista uhahua tivemos vários. O som foi mudando de pop-punk pra algo que eu não sei dizer, alguns chamam de "Post-Hardcore" outros de "Hardcore Melódico" e eu acho que esses três estilos tão lá, mas não gosto de dizer "é isso ou aquilo", acho que no som vai do Emo (daí você pensa em coisas como Sunny Day Real Estate e Friends, não o mtv emo huauha) até o post hardcore.


Essa mudança foi algo natural que foi surgindo com o tempo e adaptação ou foi algo mais pensado tipo "vamos seguir essa linha agora"?

Nossa, com certeza! Acho que uma banda que diz "vamos seguir essa linha agora" se equipara a montadora de carro e coisas assim. Nós apenas fomos ouvindo mais coisas, coisas novas e coisas velhas. É o que acontece quando se começa uma banda e se tem 15 e poucos anos, o tempo vai passando e você vai tendo influência de muita coisa e vai adicionando ao seu som, eu ainda vejo coisas que fazíamos antes no som, só que não tão cru.


Então além do post-hardcore/screamo, do que vocês vem pegando influência pro som da banda hoje em dia?

É uma coisa engraçada, porque a ideia é fazer um emaranhado de influências, acho que do Screamo é que nós temos menos. Quando o André entrou ele trouxe uma carga mais pesada pra o som, ele é o cara que mais ouve metalcore, deathcore e screamo... O Jael é mais de uma escola de ouvir hardcore e seus correlatos, igual a Neto e Eu.

Ultimamente eu tenho ouvido muito Saves The Day, Two Tongues (projeto do vocal do Saves The Day e do vocal do Say Anything), Say Anything (que é uma ótima banda, ouçam em volume alto) e umas bandas que o Henrique Geladeira tem me mostrado como Giraffes?Giraffes! e Maps And Atlases. Acaba que tudo isso se mistura e vira influência para novas composições e pra tudo que a gente faz... Tem bandas que nunca saem do playlist né, tipo Alexisonfire, Fightstar e talz


Então, agora mudando de assunto. E o cd "Mono"? Vocês veem trabalhado nesse projeto um bom tempo. Fala ai um pouco sobre ele.

Ele morreu! E a gente ressuscitou com outro nome uahuuha o novo CD vai se chamar "Memento", que em latim significa "Lembrança", "Lembre-se", é muito visto em epitáfios "Memento Mori" que é "lembre-se de sua mortalidade"... O que soa irônico porque essa pessoa já está morta. A ideia do "Memento" é que o CD ele meio que conta uma história, só que é mais estranho/complexo do que o "era uma vez..." convencional. Ele não segue uma narrativa, é mais próximo de que escrevemos ele seguindo um tema, É como se o mundo tivesse acabando e você tivesse fugindo desse fim iminente e protegendo alguém. Mas a ideia de "fim de mundo" é menos literal. "Exílio", por exemplo, fala em abandonar raízes, se desprender de valores o que não deixa de ser o fim de algo... Nós acabamos soltando duas pre-mixes no myspace ( Cinco e Suburbia ) e fizemos duas regravações do EP antigo (Olhos Abertos e Mais Uma Vez).


E vocês já vêm trabalhando nele a muito tempo... Vocês estão investindo muito na produção do disco? Como tem sido o processo de gravação?

Cara, foi uma coisa muito irada essa parte. Nós sempre nos produzimos, nós sempre brincamos de fazer isso na verdade. Dessa vez tivemos um estúdio pra fazer isso auhhua com tudo que iríamos precisar, nada de correr pra gravar, sem ficar apressando e podendo fazer as músicas de uma forma mais livre, é tanto que ele vai ter 15 faixas. Podemos testar efeitos nas vozes, detalhes, timbres e tudo mais.


E quando é que o trabalho sai? Vocês já estão trabalhando no formato físico?

Nós tivemos alguns problemas que dificultaram o lançamento físico, mas a ideia é lançar primeiramente na internet, pretendemos fazer isso em fevereiro. Já estamos em fase de mixagem


E sobra a saída do Felipe, guitarrista da banda? Vocês já tem algum substituto em mente?

Por enquanto quem vai faze os shows é o Henrique Rocha (Trem Fantasma, Calistoga e The Cashs), nós estamos "namorando" com alguns guitarristas e logo logo vamos ter o substituto.


Então pra fechar a entrevista rola um bate e volta?

Bora

Uma banda?

Nossa, que foda! Pergunta mais difícil do mundo! Vou dizer a q eu to ouvindo agora que é foda! Beastie Boys, mas nossa, tem tantas huaua

Um disco?

In Defense Of The Genre do Say Anything

Um show?

NoFx em 2010 - coisa mais maravilhosa do mundo - When Did Punk Rock Become So Safe?

O Driveout?

Sinergia

Uma Meta?

Produzir ao máximo e tocar ao máximo.


Então é isso man, valeuzão pela entrevista. Alguma consideração final pra quem estiver lendo?

Ah, queria agradecer pelo espaço é muito bom ver esse tipo de coisa sendo criada, mais um espaço opinativo sobre essa coisa que chamam de "Cena" auhuah

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Top 5: Melhores discos de 2010 por Pedro Lucas

Começo de 2011, muitos discos bons por vir pelo ano a fora mas é sempre bom lembrar o que saiu de legal nesse 2010 que mal passou. Por isso pra estrear a coluna Top 5 vai uma lista feita pelo meu amigo Pedro Lucas, vulgo Pepipédia, dos melhores discos de 2010. Aproveitem.


1 – Have One On Me, Joanna Newsom – Há quem ouça o disco triplo de Joanna Newsom como se fosse um grande conto de fadas. Talvez seja isso que Joanna Caroline Newsom pretenda fazer com seus discos; um grande conto de fadas lisérgico, escudado por uma poesia erudita, visceral e no compasso de uma harpa hábil. ‘Have One On Me’ talvez não seja um disco tão acachapante quanto ‘Ys’ (2006), até pelo fato de ser três blocos de músicas que não se interligam propriamente; tem sentidos individuais, e é uma gama de influencias que une jazz e soul (Easy, Occident), o folk à la Van Dyke Parks (Kingfisher, Have One On Me), e a sutileza e destreza poética que lhe são peculiares (Baby Birch, Soft As Chalk, etc), e mostra que Joanna Newsom tem muitas cartas na manga. É um segredo. Fica como primeira pedra na coroa da década que se inicia. (Similar: ‘Outlaster’, Nina Nastasia)

2 – King Of The Beach, Wavves – Nathan Williams conseguiu construir uma viagem para além do lo-fi que se seguiu nos dois discos homônimos de 2008 e 2009. E isso tudo depois de um 2009 conturbado, assolado por crises decorrentes do abuso do cigarrinho de artista, da cana, dos remédios, &c. E eis que em 2010 o VIDA LOKA Nathan Willians nos brindou com uma caixa de pérolas feitas com o esmero suficiente pra fazer desfilarem a grunge ‘Linus Spacehead’, a surf e lo-fi faixa-título, a assobiável ‘Green Eyes’, ao punk de butique (e por isso mesmo charmoso) ‘Post-Acid’. É o ‘Nevermind’ de Nathan Williams, como ele mesmo queria. (Similar: ‘Crazy For You’, Best Coast)

3 – ‘The ArchAndroid’, Janelle Monáe – Swing, soul, simpatia. Janelle Monáe foi a revelação, a sensação e o último bastião do artista clássico (aquele que canta, atua, dança, etc, um bibelô americano como há um tempo não se avistava) em 2010. Monáe produziu um álbum composto de DEZOITO hits em potencial, um grande baile, uma viagem sob o prisma de toda black music já publicada. (Similar: ‘The Lady Killer’, Cee-Lo Green)

4 – ‘Halcyon Digest’, Deerhunter – Após ‘Microcastle / Weird Era Cont.’ (2008), não havia como dizer que Bradford Cox construísse pérola maior em sua vida. E eis que reunindo de uma só vez toda a obra GUITARRÍSTICA que abarca de Sonic Youth a Strokes, e emulando às vezes Lou Reed, às vezes David Bowie, e até mesmo um Julian Casablancas construindo uma poesia digna de um Dylan lisérgico, viajante (como em ‘Desire Lines’, das melhores faixas do disco), mr. Cox nos deseja o melhor possível, ao nos dar um cartão de visitas supremo, ou seu (por enquanto) melhor disco. (Similar: ‘Before Today’, Ariel Pink’s Haunted Graffit)

5 – ‘Feito Pra Acabar’, Marcelo Jeneci – Um disco brasileiro pra não precisar incluir nessa lista nem Arcade Fire nem outro hype gringo do tipo, e já adiantando as menções honrosas a Tulipa Ruiz, Karina Buhr, Nina Becker e cia., também discos dignos de nota. ‘Feito Pra Acabar’ é música de sutilezas, que surpreende, que dá a dimensão do que seria o Guilherme Arantes com verniz de bom gosto, cantando ‘Não te darei flores, elas murcham, elas morrem’, ao melhor estilo Odair José e oferecendo canções pop (ao seu modo) como ‘Café com Leite de Rosas’ e ‘Copo D’Água’. (Similar: ‘Efêmera’, Tulipa Ruiz)

 
Criado por Ramon Saldanha